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Dados em cubos com símbolo de percentual e seta para cima ilustrando elasticidade-preço da demanda em marketplace

Elasticidade-preço da demanda em marketplace: como saber se vale a pena baixar o preço do seu produto

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Entender a elasticidade-preço da demanda é o que faz um desconto ser estratégico, e não um corte de margem sem retorno. Essa métrica mede se um desconto vai gerar mais vendas ou só reduzir a margem sem compensação em volume, e é essa pergunta que deveria decidir qualquer corte de preço no catálogo.

Um seller baixa o preço de um produto esperando vender mais, mas o volume de vendas quase não se altera. O resultado é margem perdida sem a compensação em quantidade que ele esperava receber em troca do desconto.

Este artigo mostra como calcular a elasticidade-preço da demanda de cada produto, como diferenciar itens elásticos de inelásticos no catálogo e como usar essa leitura para decidir onde vale a pena aplicar desconto. Continue a leitura.

O que é elasticidade-preço da demanda?

Elasticidade-preço da demanda mede o quanto a quantidade vendida de um produto muda quando o preço muda, e é essa relação que deveria decidir se um desconto vale a pena ou não, isso em qualquer categoria do catálogo.

Essa conexão entre preço e demanda se divide em dois tipos de produto, e reconhecer em qual grupo cada item do catálogo se encaixa é o primeiro passo antes de decidir os descontos:

  • Produto elástico: uma pequena mudança de preço gera uma grande mudança na demanda, geralmente porque o comprador tem alternativas fáceis de comparar no mesmo marketplace e decide com base em preço antes de qualquer outro fator. 
  • Produto inelástico: a demanda muda pouco mesmo com desconto significativo, porque o comprador já decidiu comprar por outro motivo, seja necessidade urgente, falta de uma alternativa semelhante ou preferência de marca que pesa mais do que o valor cobrado. 

Aplicar a mesma régua de desconto para os dois tipos, sem diferenciar, é o erro mais comum na precificação promocional de qualquer catálogo de marketplace.

O conceito vem da economia do século XIX, formulado para explicar por que alguns bens têm uma resposta forte à variação de preço e outros quase não reagem. Aplicado a marketplace, o princípio permanece o mesmo, mas a variável decisiva agora é o comportamento de compra dentro de um catálogo específico, produto a produto, não o mercado inteiro de uma vez.

Como calcular a elasticidade-preço da demanda de um produto?

A fórmula divide a variação percentual na quantidade vendida pela variação percentual no preço, usando o histórico de vendas do próprio produto em períodos com e sem desconto anterior no mesmo marketplace.

Elasticidade-preço da demanda ( E)D )=

| Variação percentual na quantidade demandada |
________________________________________
| Variação percentual no preço |

Um resultado maior que 1 indica produto elástico, porque a variação de quantidade supera proporcionalmente a variação de preço aplicada naquele período. Um resultado menor que 1 indica produto inelástico, porque a demanda reage menos do que o preço se moveu durante a promoção.

Calcular a elasticidade-preço da demanda exige pelo menos um período de comparação, com preço e volume vendido registrados antes e depois do desconto. Estimar sem esse histórico produz um número sem base para a tomada decisão sobre o próximo desconto.

Por que alguns produtos são mais sensíveis a preço do que outros?

Pilhas de moedas crescentes com gráfico em alta representando elasticidade-preço da demanda e crescimento de vendas
A elasticidade-preço da demanda define se cada desconto do catálogo vai gerar volume ou só corroer margem. 

Três fatores determinam a elasticidade-preço da demanda de um produto: a existência de substitutos diretos no mesmo marketplace, se o produto atende a uma necessidade ou a um desejo, e a frequência com que o comprador recompra aquele item ao longo do tempo de relacionamento com a marca.

Produtos com muitos concorrentes diretos tendem a ser mais elásticos, porque o comprador consegue comparar preço em poucos cliques dentro da mesma plataforma e migra para a oferta mais barata sem custo de troca relevante para a decisão de compra.

Produtos de nicho ou com poucos substitutos tendem a ser mais inelásticos, porque o comprador já filtrou as opções antes de chegar à página do produto e a decisão de compra depende menos do preço e mais da adequação exata à necessidade que originou a busca.

Nem sempre esses três fatores apontam na mesma direção: um produto pode ter poucos substitutos diretos, o que sugeriria baixa elasticidade, mas atender a um desejo em vez de uma necessidade, o que aumenta a sensibilidade a preço mesmo sem concorrência direta no catálogo.

Como identificar produtos elásticos e inelásticos no seu catálogo sem um estudo formal?

Mapear a elasticidade-preço da demanda de cada item do catálogo sem um estudo de mercado formal é possível comparando o histórico de vendas do próprio produto em períodos com e sem desconto anterior, o que já revela boa parte do padrão de sensibilidade a preço daquele item.

Observar quantos concorrentes diretos vendem o mesmo item no marketplace é outro sinal rápido de levantar: quanto mais concorrência direta sobre o mesmo produto ou variação exata, maior a tendência de elasticidade daquele item no catálogo.

Produtos com poucas variações de preço ao longo do histórico e volume de venda estável também costumam ser inelásticos, porque a demanda já provou não reagir de forma relevante às poucas mudanças de preço testadas anteriormente.

O que fazer com produtos inelásticos (e por que desconto não é a resposta)

Para produtos pouco sensíveis a preço, aplicar desconto reduz a margem sem gerar um aumento proporcional de volume. Esse desequilíbrio transforma uma campanha bem-intencionada em um possível prejuízo sobre o resultado daquele produto.

Nesses casos, a alavanca de venda certa é outra: visibilidade no anúncio, posição na Buy Box e qualidade do atendimento pesam mais na decisão de compra do que o valor cobrado, porque o comprador já decidiu adquirir aquele item por outro motivo.

Insistir em desconto para produto inelástico, sem antes checar a elasticidade-preço da demanda daquele item, é o erro mais recorrente de quem generaliza a régua de margem para o catálogo inteiro e corrói resultado sem nenhum ganho em troca.

Um exemplo comum aparece em produtos de reposição ou peças específicas: o comprador já sabe o que precisa e raramente troca de fornecedor por um desconto de poucos pontos percentuais, o que torna qualquer campanha de preço nesse tipo de item uma estratégia sem sentido.

Como usar a elasticidade da demanda para decidir campanhas e promoções?

Um produto elástico com margem de contribuição saudável é o candidato ideal para campanha. A elasticidade-preço da demanda responde se o desconto vai gerar volume; a margem de contribuição responde se esse volume ainda é lucrativo depois de cobrir os custos variáveis daquela venda. As duas leituras juntas formam o critério completo de decisão sobre onde aplicar o desconto.

Um produto inelástico, mesmo com boa margem de contribuição, tende a não justificar o desconto, porque o volume extra simplesmente não vem e a campanha só reduz o preço médio de venda sem trazer o retorno em quantidade que justificaria o corte de margem aplicado.

Vale ressaltar que a elasticidade não é fixa ao longo do ano: a mesma categoria pode ficar mais sensível a preço em datas de alta concorrência, como Black Friday, e menos sensível fora desses períodos, o que exige reavaliar a leitura antes de repetir a mesma régua de desconto em toda campanha.

Nem todo produto responde da mesma forma a um desconto: aplicar a elasticidade-preço da demanda em cada item do catálogo evita campanhas que viram prejuízo. Configure a margem mínima do seu catálogo no WinnerBox e deixe a Automatização de Campanhas decidir onde o desconto compensa.

Cassio Serea

Cassio Serea

Cássio Serea é Diretor do WinnerBox e do Koncili, ambas ferramentas do ANYTOOLS, e possui uma trajetória sólida em tecnologia, gestão e liderança executiva. Iniciou sua carreira como programador e atuou por mais de uma década em grandes projetos, passando por funções como desenvolvedor, analista de sistemas e gerente de projetos. Desde 2018, assumiu posições executivas em unidades de negócio do grupo, com foco em estratégia, formação de times de alta performance e escalada de produtos digitais, experiência que hoje aplica à frente do WinnerBox.

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